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Pai e madrasta de Bernardo Boldrini são condenados por tortura, constrangimento e vexame, diz MP

Em processo diferente do que condenou os dois pela morte de Bernardo Boldrini, Leandro Boldrini e Graciele Ugulini receberam penas que variam de 2 a 5 anos. Cabe recurso.
Pai e madrasta de Bernardo Boldrini são condenados por tortura, constrangimento e vexame, diz MP

 

Leandro Boldini e Graciele Ugulini, pai e a madrasta de Bernardo Uglione Boldrini, foram condenados por tortura, abandono material e submissão a vexame e constrangimento contra o menino, morto em 2014, em Três Passos, no Noroeste do RS. De acordo com o Ministério Público (MP), trata-se de um outro processo, que apurou que outros crimes teriam sido cometidos por Leandro e Graciele antes do homicídio. A decisão é da terça-feira (19).

Boldrini recebeu pena de 5 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão. Já Graciele foi condenada a 2 anos e 6 meses de prisão. Eles também foram condenados a pagamento de multa. Cabe recurso à decisão.
O advogado Ezequiel Vetoretti, que representa Leandro Boldrini, afirmou que a defesa ainda não analisou a sentença. Ele acrescentou que "esse processo era o único que deveria ter sido ajuizado contra Leandro. Afirmo e reafirmo que a condenação pelo homicídio foi um dos maiores erros judiciais dos últimos anos".

O advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, que defende Graciele, informou que ainda não tomou conhecimento da decisão.

A denúncia é de outubro de 2016 e se refere a fatos que aconteceram antes da morte do menino. Segundo o MP, entre o segundo semestre de 2010 e o dia 4 de abril de 2014 (data da morte de Bernardo), Leandro e Graciele "deixaram, sem justa causa, de prover a subsistência de Bernardo, não lhe proporcionando os recursos necessários".


A criança foi exposta "a intenso sofrimento mental", para "desestabilizar-lhe emocionalmente", diz a denúncia. Ainda conforme a promotoria, o menino era impedido de conviver e interagir com a irmã, filha de Leandro e Graciele, recebia ameaças de morte e proibiram de falar sobre a mãe, que havia falecido.

Bernardo não recebia alimentação, segundo o MP. "Embora tivessem plenas condições financeiras, os réus deixaram a vítima, por diversas vezes, sem alimento. O menino era privado de almoços, jantares e lanches da escola”.

A magistrada responsável pela decisão mencionou vídeos gravados que revelam, no entendimento a juíza, uma "relação de abusos, sofrimento e crueldades mentais".

"Sempre com a intenção de castigá-lo, com a supressão das referências e bases necessárias a uma vida saudável e ao bom desenvolvimento pessoal e social do ofendido, em sucessivos atos de intimidação e de restrição", diz trecho da decisão.


Situação dos condenados
Leandro Boldrini passou a cumprir a pena no regime semiaberto em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Trata-se do mesmo município em que estão enterrados os corpos do menino Bernardo Uglione Boldrini e da mãe dele, Odilaine Uglione.

Boldrini obteve progressão de regime em julho. Com isso, passou a cumprir a pena no semiaberto. Ele foi beneficiado pelo uso de tornozeleira eletrônica em razão da falta de vagas no sistema prisional.

A madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, recebeu a maior pena do júri de 2019, sendo condenada a 34 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Também presa desde 2014, ela terá direito a ingressar no regime semiaberto em julho de 2026, segundo o Tribunal de Justiça.


Relembre o caso
Além de Leandro Boldrini, foram condenados pelo crime a madrasta do menino, uma amiga dela, Edelvânia Wirganovicz, e o irmão dela, Evandro. Todos foram condenados por homicídio em 2019. No entanto, a sentença de Leandro, considerado mentor do assassinato pelo Ministério Público, foi anulada pelo Tribunal de Justiça em 2021.

Em março deste ano, Leandro Boldrini foi condenado a 31 anos e oito meses de prisão pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado e falsidade ideológica. Ele foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

Preso desde 2014, ele atingiu o requisito de tempo previsto para passar do regime fechado para o semiaberto. Ele cumpriu dois quintos da pena, por isso, alcançou o direito à progressão, já que trabalhou desde o início. Boldrini atuava na cozinha do presídio em que estava.

Fonte: G1/RS

A

Autor

André Motta

Em: 25/09/2023, 06:32

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