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O frio está voltando, e com ele as Geadas

Sabia que é possível impedir a formação da geada?

Por Cristiano Nunes dos Santos 02/09/2020



Olá, depois de um tempo ausente devido as mudanças impostas pela pandemia da COVID-19, estamos de volta, e hoje para falarmos sobre um dos males que costuma acompanhar o nosso frio invernal: as geadas.

Segundo a meteorologia, geada é a condensação, na forma sólida, da umidade atmosférica sobre os objetos expostos e/ou conversão em gelo da água que já havia condensado na forma de orvalho antes da temperatura da superfície ter atingido 0°C, formando depósitos de gelo de aspecto cristalino, na forma de escamas, agulhas ou leques.

Mas na agricultura, o conceito de geada da meteorologia se aplica somente para um tipo. E antes que alguém questione, “mas existe outro tipo de geada?”, eu já antecipo a resposta: sim.

Na agricultura, geada é toda temperatura baixa o suficiente para ser capaz de causar dano aos tecidos vegetais, independente da formação ou não de gelo sobre as plantas. E com isso podemos ter diferentes tipos de geadas.

Pensando na maneira em como se formam, temos a geada de advecção ou de vento frio (provocada pela ocorrência de ventos fortes, constantes e com temperatura muito baixa), a geada de radiação (provocada pelo resfriamento intenso da superfície, que perde energia durante as noites de céu limpo, sem vento, com baixa umidade, sob o domínio de um anticiclone semi-estacionário com ar frio e seco), a geada mista (é mais rara, mas é observada quando os processos de geada de advecção e de radiação ocorrem sucessivamente), e a geada de canela (provocada pela ação do vento que sopra morro abaixo em noites de intenso resfriamento da superfície, promovendo o congelamento da seiva nos vasos condutores do caule das plantas, próximo ao solo – canela da planta).

Quanto ao aspecto visual, temos dois tipos de geada: a geada branca que é quando a geada de radiação ocorre e no ar a concentração de vapor é suficiente para que haja a condensação do vapor d´água nas superfícies e, posteriormente, o seu congelamento, e a geada negra que é quando a geada de radiação ocorre e no ar a concentração de vapor d´água é muito baixa, ocorrendo a morte do tecido vegetal sem que haja nas superfícies a formação de gelo.

Vários fatores interferem na formação das geadas: tem os fatores macroclimáticos relacionados a latitude, altitude, proximidade dos oceanos e movimento das massas de ar polar; fatores topoclimáticos, relacionados a configuração e exposição do terreno; e fatores microclimáticos, como o tipo de cobertura do solo.

Mas nem tudo são “más” notícias. A geada é praticamente o único evento meteorológico que podemos combater ou impedir a formação. Isso mesmo, é possível impedir a formação da geada, ou fazer com que sua ocorrência não seja tão prejudicial.

Um dos métodos utilizados é a aspersão (irrigação) contínua de água. É um dos sistemas mais seguros de combate à geada e tem ótimos resultados em pomares, hortas, jardins e viveiros de produção de mudas. A idéia é fazer com que se forme gelo, sim gelo, sobre as plantas, do início até o final da geada. Explico, a água para congelar precisa liberar energia no ambiente (80 cal/g de água congelada) e essa energia compensa a energia perdida por radiação de onda longa pela planta, além de que enquanto houver água para congelar sobre a planta, a temperatura da planta não cai abaixo de zero graus. Para funcionar, é necessário aspersão constante desde o início da noite até o dia seguinte, só desligando a irrigação após o total derretimento do gelo formado.

O outro método é a formação de neblina artificial, com o intuito de impedir a formação de geada. O objetivo é produzir neblina de modo a reduzir a emissão de Radiação de Onda Longa pela superfície. A água tem a capacidade de absorver e contra-emitir Radiação de Onda Longa. Uma das receitas disponíveis é a da Neblina Artificial tipo IBC: 10kg de Nitrato de amônio ou 12 kg de Nitrocálcio, 6L de óleo diesel ou óleo queimado e, 100L de serragem seca. Mistura-se tudo e coloca-se em tambores de metal. Cada bateria tem 10 tambores e protege uma área de até 50ha.

Claro que cada método tem suas vantagens e desvantagens, de modo que é importante pesquisar sobre cada um deles antes de tentar utilizar. Quem se interessou pelo assunto, uma rápida pesquisa na internet sobre controle de geadas vai mostrar várias metodologias para combater/impedir a geada, com suas respectivas limitações.

Espero que tenham gostado do assunto, tenham uma boa semana e até a próxima. E para saber um pouco mais sobre o assunto, não se esqueçam de visitar a minha página em crisnunessantos.pro.br

 

Cristiano Nunes dos Santos

Professor do IFFar – Campus Santo Augusto

Cristiano Nunes dos Santos

colunista

Técnico em Agropecuária, Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia. Professor no Instituto Federal Farroupilha. Neste espaço, irá abordar a temática agricultura, com foco em solo e clima.




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